Let it be...
Tenho a impressão de que não adiantaria colocar num outdoor. Ou escrever na testa. Ou dizer com todas as letras: "é o seguinte..." Não acho que exagerei na dose, acho até que fui sutil, como prefiro ser sempre. E acho que estou com medo, sim, acho que não quero ouvir o que penso que vou ouvir. Na realidade, talvez nem ouça. Pode ser que eu queira tirar o time de campo cedo demais, mas consigo decifrar o silêncio tanto quanto as palavras. Leio nas entrelinhas com certa facilidade mas às vezes elas me confundem. Sou instintiva, ansiosa, um bocado imediatista mesmo, quanto a isso não tenho muito o que fazer. Mas enxergo o andamento das coisas e pode não ser seguro arriscar passos em falso mesmo que a essa altura do campeonato eu não tenha como voltar atrás. E sinceramente, não queria voltar... porque a razão de tantas dúvidas me cerca com uma leveza que encanta, com uma doçura no olhar que me tira o chão sob os pés, que faz daquelas poucas horas as melhores do dia inteiro. E sorri com os olhos, coisa que adoro. Não ouso nem definir tudo isso, porque a indefinição talvez seja justamente o ponto final.
- Postado por: Oda Mae às 16:55
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Autenticidade
Na aula de ontem estávamos falando sobre autenticidade e isso serviu de gancho pro meu texto de hoje, só que num contexto diferente. Quero falar disso no sentido mais humano, de não precisarmos roubar a essência do outro, de sermos apenas nós mesmos. Isso eu acho extremamente importante. Por exemplo, no meu blog nunca recebi uma crítica negativa relacionada às coisas que escrevo (mas se vier, aceito e publico numa boa) e acho que isso se deve ao fato de que aqui sou eu mesma. E se publico algo que não é de minha autoria (com o devido crédito, claro), é porque naquele momento aquele texto me traduz ou me encanta ou me leva a uma auto-análise, e aquelas palavras passam a ser as minhas, mesmo que "emprestadas". Uma pessoa que admiro muito (e leio todos os dias) é a Anucha Melo, que descreve seus encantos e desencantos, seus erros e acertos de uma forma muito autêntica. Sem medo de ser feliz. E não é assim que tem que ser? Então. Os blogs têm a vantagem da linguagem livre, do descompromisso, da não obrigatoriedade de escrever todos os dias. Um espaço onde podemos desnudar nossa alma ou vesti-la com as cores que acharmos mais apropriadas, mural dos recados que de outra forma, talvez não ousássemos enviar.
- Postado por: Oda Mae às 09:04
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Faço minhas essas palavras, roubo-as, porque o tempo e a incerteza não me deixam ir além disso. Porque queria gritar ao invés de escrever e aqui não é possível. Não tenho culpa da irracionalidade que me toma de vez em quando, não tenho culpa por sentir, por calar quando deveria falar qualquer coisa que mudasse a direção do teu olhar pra mim...
QUALQUER LUGAR
Enquanto perdurarem essas nuvens de areia E essa remela nos teus olhos Vou te pedir uma coisa só: Cala-me. Não importa se com os dedos, toda a mão Ou com a boca Faz com que eu fique aqui, contemplando a quietude Envolto nesse edredom cheio de fiapos Rabiscando as paredes Lambendo o suor dos meus pêlos
Também peço que, dos teus braços, Ainda que curtos, Mantenhas os músculos retesados Porque o silêncio é bom, e santo, e calmo Mas tenho aqueles súbitos impulsos, tu bem sabes, De queimar minha própria pele E quero que, quando chegar a hora Tu me ensines Onde ficam os túneis, Como tatear nas paredes úmidas E como acender as tochas que Trepidando, trepidando, Vão me levar a algum lugar, Mesmo que não seja a saída.
João Carlos Dalmagro Jr.
- Postado por: Oda Mae às 14:48
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Existem coisas que ficam na memória... como essa poesia do Drummond, que eu não conhecia, mas gostei muito.
Memória
Amar o perdido deixa confundido este coração.
Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.
As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão
Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
- Postado por: Oda Mae às 13:57
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