A Caçula
Lembro de uma foto em preto e branco, já amarelada pelo tempo, em que ela está brincando no seu velocípede. Vestida numa calcinha que lhe chegava quase até o pescoço, parecia uma boneca, com seu cabelinho revolto e o olharzinho tranqüilo de quem não tinha preocupação nenhuma na vida. Acho que essa é a imagem mais bonita que tenho de quando ela era menina. Lembro dos nossos vestidinhos iguais, das brigas de puxar os cabelos uma da outra e de caírmos da rede em que brincávamos (eu, ela e Corrinha), deixando a mana Eugênia em prantos. Lembro da casinha improvisada no fundo do quintal, das panelinhas de barro com comidinha de mentira, das nossas canções infantis, da mesinha de madeira pintada de azul. Lembro das bonecas de pano que a tia Jesus fez pra gente, Emílias artesanais que eram nosso xodó. Dos três pianinhos amarelos ganhos no Natal. Da boneca que perdeu o braço no mesmo dia em que ela ganhou... Agora a caçula cresceu e vai brincar de casinha de verdade, vai casar com um "cabra da peste arretado de bom" e eu serei sua madrinha. Desde já rezo para que sejam felizes, Tânia e Deto, para que Deus lhes dê saúde e vida longa. Que ela me dê os sobrinhos que ainda não pude lhe dar. E que guarde, assim como eu, as lembranças do que há de melhor nessa vida: nossa família.
- Postado por: Oda Mae às 11:53
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