29/11/2007
"...o que acaba é 'um' amor. 'O' amor não acaba". (...) Se fecha no casulo do peito e, lá na frente, se faz borboleta..."
Esse trecho, extraído do belo texto do publicitário André Gonçalves, me serviu como um sutil puxão de orelhas... Depois do turbilhão de sentimentos negativos que surgem após uma desilusão, é mesmo difícil pensar positivo e achar que um dia o amor vai voltar firme e forte. E eu já acreditei nisso. Mas o amor volta sim... com outra cara, novinho em folha ou "tinindo", como se diz por aqui. Eu mesma cresci acreditando que só existe um verdadeiro amor (e que o resto é perfumaria...), até descobrir as mil facetas que esse sentimento pode ter e que podemos amar muito e muitas vezes. E aprendi que não adianta querer amar pela metade porque aí não seria amor... Amor é inteiro. Amar é arriscar-se, é perder o medo, é mergulhar de cabeça sem querer saber antecipado o que vai encontrar lá no fundo. E mais uma vez lembrando as palavras do texto: tecer o casulo pacientemente até que dele, um dia, saia uma linda borboleta.
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas, O amor comeu metros e metros de gravatas O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte
Dos Três Mal Amados - Cordel Do Fogo Encantado Composição: João Cabral de Melo Neto
Vai lá: http://www.portalaz.com.br/coluna/andre_goncalves/90079
- Postado por: Oda Mae às 10:59
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