22/04/2008
Para o amigo que não quero perder...
Não queria ter feito aquilo. Não queria ter batido a porta. Por um segundo, quisera segurar-lhe a mão e dizer que importante mesmo (apesar de tudo) era a sua amizade. Queria acreditar que nada no mundo quebraria os laços que os uniam desde aquele cinzento agosto de 2005. Queria que algumas coisas voltassem a ser como antes, ter o seu abraço de volta e ouvi-lo perguntar: "como vai, nega?", com o pequeno sorriso que era sua marca registrada. Guardava com carinho tudo que partilharam juntos, naquele cantinho da alma onde ficavam somente as coisas - e as pessoas - especiais. Agora sabia que deviam ter ouvido melhor um ao outro, porque palavras duras não levavam a lugar algum, porque eram amigos e tudo aquilo simplesmente não combinava com eles. Dificilmente se arrependia de algo. Mas naquele dia, tudo o que mais queria era ter dito "desculpa" ao invés de "vai"...
Às vezes parecia que de tanto acreditar Em tudo que achávamos tão certo Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais Faríamos floresta do deserto e diamantes de pedaços de vidro... Mas percebo agora que o teu sorriso Vem diferente quase parecendo te ferir Não queria te ver assim Quero a tua força como era antes O que tens é só teu E de nada vale fugir e não sentir mais nada...
Às vezes parecia que era só improvisar E o mundo então seria um livro aberto Até chegar o dia em que tentamos ter demais Vendendo fácil o que não tinha preço Eu sei é tudo sem sentido Quero ter alguém com quem conversar Alguém que depois não use o que eu disse contra mim
Nada mais vai me ferir É que eu já me acostumei Com a estrada errada que eu segui E com a minha própria lei Tenho o que ficou e tenho sorte até demais Como sei que tens também...
(Andrea Doria - Legião Urbana)
- Postado por: Rosa Magalhães às 09:57
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