03/07/2008
Aquelas palavras eram sua oração, seu mantra, seu templo de adoração. Repetiria a curta leitura tantas quantas vezes fossem necessárias, para lembrar que o seu deus-menino voltara - nem tão deus assim - para perto dela. Seu diabinho íntimo instalara-se de novo, fervendo-lhe o sangue e acelerando-lhe as batidas do coração. Sabia que jamais seriam os mesmos, desde que suas bocas brincaram com a pequena cruz e beijaram-se infinitamente, compartilhando pecados e sorrisos. Abençoava-lhe a insônia, o menino. Arrasava-lhe as manhãs. Trazia-lhe o céu para debaixo dos pés e isso, por si só, já bastava.
Nó Cego Cacaso
O amor do jeito que eu amo é estação de viagem não sei pra onde nos vamos não sei se tem outra margem
O amor do jeito que eu chamo espalha medo e coragem.
O amor do jeito que eu sinto é um bater de pandeiro é um cachorro faminto é um demônio faceiro O amor do jeito que eu minto descobre o meu desespero.
Amargo feito nó cego escuridão passageira O amor do jeito que eu rego renasce numa fogueira.
O amor do jeito que eu vejo é uma estrela cadente a perdição do desejo a solidão da semente O amor do jeito que eu beijo se perde completamente.
- Postado por: Rosa Magalhães às 14:58
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